Um pouco de história

Os pioneiros

 

Preliminares:

Como diz Dona Lea Silveira Beraldo, em seu site Imigrantes Italianos, a Itália inteira enfrentava um alongado período de crises quando, em meados de 1800, o triste episódio da emigração se iniciou. Triste porque a História nos mostra que os imigrantes procedentes das diversas regiões da Itália sofriam toda sorte de privações, inclusive quanto à alimentação, cuja base era o milho, tornando-se até vítimas da pelagra, doença que já se estava tornando endêmica. Ao buscarmos as raízes italianas mais próximas, por certo não vamos encontrar muita gente com direito a honrarias e título de nobreza. Se formos guiados pela sensibilidade, no entanto, certamente encontraremos muita nobreza de alma nessa sofrida gente.

Agora, vamos à história dos nossos imigrantes:

Informações retiradas, por Fábio Lusvarghi, de um livro que fala de algumas famílias da cidade de Andradas, MG:


1898 - Dois irmãos, Massimo e Domingos Lusvarghi, foram os iniciantes desta família em Andradas-MG.

         I - Massimo já veio da Itália casado com Júlia (ou Henriqueta) Aldegundes Chiarelli. Nasceu em 1856 e faleceu em 14/12/1936.
    - Trouxe os filhos:
             Eliseo, que se casou com Auta Olimpia de Andrade (falec. 21/12/1933), filha do Cel. Luiz Teixeira de Andrade; Eliseo teve uma barbearia na década de vinte e depois, um pequeno negócio.
              Angelina, casada com Augusto Gessoni, filho de Paschoal Gessoni;
              Ovidio, casado com Anunciata Gessoni.
         II - Domenico Lusvarghi já veio casado com Chiara Forghieri,  nascida em 26/02/1868.
      - Trouxe os filhos:
              Augusto, que aqui casou-se com Alzira Manzoli, em 25/10/1913, filha de Jacob Manzoli e Emma Bemardoni, natural de Poggio Rusco, Província de Mantova.
              Armando, que aqui casou-se com Euridice Manzoli, irmã de Alzira.
              Alberto, que morreu solteiro.

     
- Aqui, acrescento as informações que eu mesmo colhi: O primeiro filho brasileiro foi Paulo que, na intimidade, também atendia pelo apelido de Paulino e que se casou com Haydee Viotti Nogueira de Sá.
       - Aí vieram mais filhos brasileiros, como se seguem:

             Elvira, casada com Antonio Basso;

             Francisco, casado com Ernesta Esperança;

             Ferdinando, casado com Amélia Gomes Corrêa;

             Diomira, casada em 1922, com Alfredo Bensi, filho de Domenico Bensi e de Victoria Pinni;

             Rosalia, de apelido Rosa, casada com Henrique Milanese;

            Augusta, chamada também Augustinha (embora fosse a mais alta das filhas), casada com Antonio Sanches; e

             Cypriano (filho do segundo casamento de Domenico), casado com Maria Antonieta Martins.

        - No total, se não errei as contas, Domenico teve onze filhos: Augusto, Armando, Alberto, Paulo, Elvira, Francisco, Ferdinando, Diomira, Rosalia, Augusta e Cypriano.
       - Domenico foi comerciante em Andradas, depois mudou-se para Pirajuí-SP. Hoje, alguns descendentes residem em Lins e Cafelândia-SP. Descendentes destes estão, por assim dizer, "espalhados" pelo Brasil afora.


Acrescentam-se informações obtidas em registros públicos:


        
Domenico, que no Brasil adotou o nome de Domingos, aqui chegou com 29 anos de idade no porto de Santos-SP, em 28/04/1895, pelo vapor "Re Umberto", proveniente do porto de Gênova - Itália, onde ocorreu o embarque em 05/04/1895. Chegou com o sobrenome Lusuardi. Trouxe a esposa Chiara, com 24 anos de idade e três filhos: Augusto, com seis anos, Armando com quatro anos e Alberto com dois anos. Veio também o cunhado Ottavio Forghieri com 32 anos de idade, conforme Autos C.H.I. N° 01543/89, do Centro Histórico do Imigrante, órgão da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, na capital do Estado, que pode acessado por meio do link a seguir:

         Memorial do imigrante - acervo digital.

         Nesses autos, consta ter vindo também, no mesmo grupo, Maria Lusvarghi (também Lusuardi). Nada consegui apurar sobre ela. Quem era, para onde foi, nada. Suponho que era a esposa de Ottavio Forghieri (cujo pai, na Itália, foi registrado com o sobrenome Furgieri), porque ambos integravam o grupo de imigrantes liderado por Domenico.

         A título de curiosidade, registro aqui que meu pai dizia ter me dado o nome de Octavio por dois motivos, um, em homenagem ao tio dele que se chamava Ottavio e, outro, porque eu era o oitavo filho dele.

          Havendo falecido Chiara, em Andradas-MG, Domenico casou-se, com Emma Bernardoni que já era viúva de Giacomo Manzoli. Deste casamento, nasceu Cypriano.


Agora,informações oriundas de relatos pessoais:


Atuais:


              
Diz Fábio:-"Resumindo, Eliseo é avó de meu pai, Argemiro Lusvarghi é meu avô (não o conheci), pai de meu pai." (do Fábio).

              Fábio é paulistano, mas criado em Andradas e quando não está com nenhum projeto novo (é cenógrafo), passa parte de seu tempo em Minas. Tem pouco ou quase nenhum contato com pessoas da família Lusvarghi, trocou alguma correspondência com dois parentes de São Paulo já há algum tempo, mas ficou por aí.

 

              Emílio Lusvarghi, residente na Argentina, relata que:

              "O sobrenome.
             A família dos Lusvarghi, conhecidos na área como os "Lusvarghet", (leia-se: Lusvarguet), é uma família relativamente pouco numerosa que habitou e habita desde tempos imemoriais, na comuna de Carpi, no baixo Modenês e na de Rubiera, naturalmente com algumas exceções.
              Do tema deste capítulo, tenho pouca informação, em que pese o fato de que me interessa, infelizmente não tenho meios para investigar e estou muito longe dos centros de informação.

              No dia anterior ao do meu embarque para a América, visitamos em Gênova, com Giuseppe, Enzo e Marco Vaccari, uma pessoa de sobrenome Lusvarghi, oriunda de Rubiera para entregar-lhe um pacote que lhe enviavam seus parentes rubierenses, eu não o conhecia, nem tampouco a seus parentes, mas Giuseppe sim. Essa pessoa tinha uns modos muito afeminados e morava sozinho e oh! surpresa, em uma parede tinha exposto um pergaminho assinado e carimbado pelo "Ufficio Araldico di Firenze, Gabinete de Heráldica em Florença, que descrevia as origens e o brasão de armas do nosso sobrenome. 
              Quero esclarecer que os brasões correspondem a linhagem e não ao sobrenome, mas como nosso sobrenome é tão escasso, tão localizado nas áreas de Rubiera e Carpi e tão antigo, que é fácil deduzir que se trata de uma única linhagem. 

               Uma versão recente acredita que o sobrenome pode ser derivado do nome de origem armênia "Lusvard". Uma variante do sobrenome é "Lusvardi" e está enraizada há séculos nas colinas do alto Modenês.

Eu li o pergaminho, às pressas, mas lembro-me de que ele definia assim o sobrenome:

                Lusvarghi:

              sobrenome de possível origem flamenga, derivado talvez do topônimo Luxemburgo, obviamente muito italianizado ao longo dos séculos, mas ainda reconhecível em suas duas partes "lux", brilhante ou ou “lux”, pequeno e "barg", burgo, fortaleza, (pessoas luminosas ou pequena fortaleza).

               O sobrenome é anterior ao século XIII, talvez pertencente a algum soldado de ventura às ordens do imperador que se estabeleceu definitivamente na Itália.

               É possível também uma, quem sabe, origem lombarda já que Rubiera fora ocupada por esse povo de origem germânica.
              
Antes do século XIII, nossos antepassados já eram proprietários de terras e certamente rendiam homenagem aos grandes Suseranos da área. A família estabilizou-se na área de Rubiera e baixo Modenês. 
              Quanto ao brasão da família, consta de um escudo encimado por uma coroa senhorial de pérolas, cortado por faixas horizontais, alternadamente azuis e brancas (quatro azuis e três brancas) e em seu interior um leão rampante em posição contornada (voltado para a esquerda)."

 

              Fernando Augusto Lusvarghi, residente em Toronto, ON, Canadá, filho de Fernando Aparecido Lusvarghi que, por sua vez, é filho de Augusto Lusvarghi, o primogênito de Domenico, vem fazendo diversas pesquisas sobre a origem da família e reuniu os resultados num interessantíssimo site. Veja-o aqui:

 

http://fernandolusvarghi.wixsite.com/lusvarghi


Anteriores:


               Segundo histórias contadas de pai para filho, de tio para sobrinho, de avô para neto, etc., que a mim chegaram por relatos de meu tio Alberto, o pai dele, Domenico (no Brasil,  Domingos), nascido em 1866, e o tio dele, Massimo (o tio Morete), nascido em 1856, eram filhos do também Domenico, nascido em 1814, que aqui passamos a chamar de Domenico (Senior), para não confundir com o Domenico que veio para o Brasil e que morou em Andradas. Domenico (Senior) era filho de Francesco, de uma família relativamente bem de vida que morava no Tirol, uma região a sudoeste da Áustria, que englobava uma parte do norte da Itália, a Lombardia. Dizia-se que alguém da família, possivelmente Domenico (Senior), ou seu pai Francesco (não sei), mais alguns irmãos e primos, foram enviados a estudar, internos num colégio em Dijon, França, de onde fugiram na calada da noite, por supostamente haverem praticado atos de indisciplina, e pediram ao então imperador Francisco José, do Império Austro-Húngaro, que lhes fornecesse passaportes para emigrarem para a Itália de então e ali ficarem despercebidos. Conseguiram os documentos com o sobrenome de Lusuardi, típico sobrenome regiano e modenense, como se vê no site "Diffusione del cognome Lusuardi". Assim, fixaram residência na então região da Emília Romagna, que ficava próxima ou era parte do Tirol da época. Domenico (Senior) casou-se com Capitani Diomira e tiveram os filhos que deram origem a todo este papo aqui. Entre outras, contavam que Domenico (o nosso Domingos) que, na Itália, tinha a profissão de transportador, além de irmão, era amigo inseparável de Massimo (o tio Morete) e que Morete era um homem alto e muito forte, que chegava a levantar, apenas com os braços, o animal de tração das carroças que usavam (transportador, naquele tempo, usava carroças).

 

                   Consta que Domenico (Senior) teve outros filhos, como Jerônimo, Marietta, Dionísio e Lucia; não sei se outros. Talvez Marietta seja aquela Maria que veio com o grupo do Domenico para o Brasil. Dessas coisas os nossos antepassados não falavam muito. Só quando se reuniam, por algum motivo, até por doença em  familiares, e começavam a contar histórias. Aí, contavam, por exemplo, que naquele tempo, na Itália, conforme a região, falava-se o idioma italiano mais um dialeto e que o dialeto falado pela família era difícil. Lembro-me, por ouvir dizer, que "pequeno Jerônimo", como era chamado carinhosamente um dos filhos de Domenico (Senior), pronunciava-se "skets Jerimet". Não sei que dialeto é esse, mas, perguntando, já ouvi tratar-se de um dialeto falado em uma região do antigo Império Austro-Húngaro. Acredito que seja o Dialet arzan, ou dialeto reggiano, próprio da Província de Reggio Emilia. Domenico (Senior), pai de nosso Domenico que veio para o Brasil, nasceu em Rubiera, ainda não sei onde nasceu seu pai Francesco.

 

                 Contavam também, que, com Massimo (Morete) e Domenico (Domingos), vieram mais dois irmãos ou primos deles, não me lembro bem, mas não desembarcaram no Brasil. Um poderia ter desembarcado em Buenos Aires e o outro teria seguido para o norte, não sabendo eles exatamente para onde, mas achavam que teria ido para os Estados Unidos, porque era muito comum, na época, as pessoas desejarem "fazer a América", como eles chamavam o fato de emigrar para a América do Norte. Acho um pouco difícil esta última hipótese, porque, nos Estados Unidos, existem muitas organizações que dispõem de todos os dados referentes aos imigrantes e não consegui encontrar qualquer traço da família naquela época, em nenhum desses bancos de dados.

Tio Alberto também contava que, muito tempo antes, os antepassados da família moravam na Inglaterra, onde o sobrenome Lusvarghi tinha outra grafia (não sei qual) e significava "esquadra guerreira que brilha no oceano, ou no horizonte".

 

                    Já no Brasil, provavelmente levados por uma antiga aspiração da família, parece terem decidido trocar de novo seu sobrenome, resgatando o original, Lusvarghi, que ficou.

 

                    Alguma variação aconteceu no meio disso porque, no sepultamento de Chiara, o viúvo aparece com o nome de Domingos Loswald e a falecida, Clara Loswald. Com este mesmo sobrenome, aparece o pai de Angelina (e ela mesma), na certidão de casamento dela com Augusto Gessoni, pois ali o pai dela aparece com o nome de Maximo Loswald e ela, Angelina Loswald.

 

                       Na certidão de casamento de Domenico com Emma Bernardoni, ele aparece com o nome de Domingos Loswaldi.

 

                       Na certidão de batismo de meu pai, Paulo, minha avó aparece com o nome correto, ou seja, Forghieri Chiara, mas meu avô aparece com nome de Ivaldi Domenico. Algum Losvaldi ou Losvalde também pode ter ocorrido. Pelo que se vê, variações podem ter acontecido até por erro de cartório ou de informantes.

 

                      Outras variações interessantes foram encontradas por nosso primo Fernando Augusto, residente no Canadá, filho do primo Fernando Aparecido, residente no Brasil, que, por sua vez, é filho do tio Augusto, irmão mais velho de meu pai, cuja biografia aparece neste site, no link "Dados biográficos de alguns antepassados". Essas variações podem ser vistas, em inglês e em italiano, no endereço abaixo:

http://fernandolusvarghi.wixsite.com/lusvarghi/about
 

                        Pouco antes do início da segunda guerra mundial, Domenico foi à Itália, junto com um cidadão de nome Francisco Bertoli e encontraram lá, em Reggio Emilia, um primo deles, Riccardo, que estava doente mas reconheceu o Domenico e conversaram longamente. Pode ter sido aí acertado o resgate do sobrenome original, Lusvarghi. Pode também ter ficado Riccardo encarregado de olhar pelas coisas que Domenico e família haviam deixado para trás, ou qualquer coisa assim, não sei. Eu era quase um nenê e não dava atenção às coisas e assuntos dos adultos, mas a experiência de sucessivas mudanças, que tem ocorrido ao longo de minha própria existência, me sugere não seria impossível ter acontecido isso. Se não, Domenico não teria motivo para regressar a sua terra, só um pouco antes da guerra mundial, cuja eclosão já era suspeitada pela imprensa internacional. Poderia estar temendo a invasão de nazistas nas suas coisas, quem sabe? De qualquer maneira, são elucubrações de minha parte.

                       Muito tempo depois, Gianna, nora do então doente, confirmou tal visita e o fato de que os visitantes eram parentes de seu sogro. Gianna tem uma filha que, pelo menos até 1984, morava em Reggio Emilia e se chama Annamaria Lusvarghi, é casada e tem duas filhas. Não sei o nome das meninas.

 

                        Com satisfação e gratidão, recebi um e-mail, dia 20/05/2007, de Emilia Lusvarghi Galli, residente na França, dizendo que o doente encontrado por Domenico em Reggio Emilia era seu avô Riccardo (falecido em 1966). Riccardo teve 5 filhos: Nera, Lidia, Anna, Luigi (marido de Gianna e pai de Annamaria), e Giuseppe, pai de Emilia (falecido 1981). Quanto à origem de nossa família, parece que procede da Hungria, vinda através do Tyrol para, então, chegar a Rubiera (perto de Reggio Emilia), onde Emilia nasceu, disse ela. Agradecemos a Emilia pelo contato e belas palavras sobre este site.

 

Conclusão:


                       
Bem, pessoal. Isso é tudo que eu tinha. Toda pesquisa feita, desde o início dos anos oitenta, do século passado e toda a história que conhecia, coloquei aqui. Fiz questão de gravar o que sei, para que se não perca no tempo, como talvez outras coisas possam ter sido perdidas, infelizmente,  porque nunca as pessoas as escreveram. Só contavam o que tinham ouvido.

                        Recentemente, Renzo Lusvarghi, da Argentina, sugeriu colocarmos dados e informações dos Lusvarghi de outros países. Bem recebida a sugestão. Pedimos a todos os Lusvarghi de outros países que, também, enviem informações e dados familiares para que consignemos aqui.

                        A família de Renzo Lusvarghi tem quatro integrantes. A filha mais velha dele está em Dublin, Irlanda. A irmã dele, em Washington, USA.

                        Também na Argentina temos o Emilio Lusvarghi, que tem acrescentado informações importantes, como citadas acima acerca do sobrenome e do brasão da família.

                         Hoje, na Itália há menos Lusvarghi do que no Brasil, dizem eles.

                        Se algum membro da família tiver algo a acrescentar ou modificar sobre o que relatei acima, ou tiver outras informações, favor entrar em contato logo, porque de vida e, não demora muito, vou-me embora também "desta para melhor", como diziam os antigos.

                       Apesar de que, lastimavelmente, meu filho mais velho, Luiz Octavio (e minha nora Sofia, esposa dele) e meu filho mais novo, Paulo Henrique, já se foram antes de mim. Ah, Senhor meu Deus, que tragédia. Eu os amei tanto... e ainda amo.

 

                       
Obrigado e que Deus abençoe a todos, familiares, afins e visitantes.

01/07/2017